FLOR
Essa rosa não nos pertence
então por que a corola machucar?
A cada espinho acrescentado ,
uma pétala se vai ...
rega, aduba, cuida...
mesmo sabendo que as pragas são quase inevitáveis...
direcionemos as flores e folhas ao sol .....
que a flor olhe para o celestial e se energize com os raios matinais....
esses espinhos nos machuca tanto ....nos fere tanto....
inflama... mas que anti-inflamatório tomaremos?
Aqueles que se ministram tal fórmula, embotam, enrijecem os vasos, pocam-se ...
os indivíduos passam a vegetar e por isso deixam de ser rosa ...
nossa rosa não é minha nem sua ... é parte de nós ....
e por assim ser, tem um crescimento não linear ....
ela não atende a todas as previsões de máquina ....
as pétalas....
as pétalas se enchem de rubor, vistosas ficam...
quanto mais profundas as raízes, maiores o rubor e a dor!
Que rosas somos? Que rosas devemos ser?
Toda rosa é um pouco de rubra e alva ...
por isso são várias rosas ao mesmo tempo ...
é um pouco de sangue, tortura da alma ....
....que dói no corpo ....sentes o cheiro? Nos perfumou.
E o orvalho que sai dos nossos olhos naqueles momentos noturnos da noite? Nos hidratou..
Sua parte alva de paz e redenção nos enche....
até que os instantes longos deixem de "ser" ...
é quando o momento dia do dia se foi ....
Nossa rosa é a fragilidade do instante....
mas é também uma sustentável leveza de ser ....
pelo menos até quando deixe de ser instante ....
Mas, se mais instantes não houver,
é porque tempo mais não há ....
logo nada mais existe e então a rosa morreu!
MACULADO POR ESPADAS
"Rir pra não chorar", talvez seja o lema. Lema da angústia.
Os olhos duvidosos clamam por algo que seja solução: Que eu não fique como "as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar".
Mas, também não aspiro tristeza perene, entrecortada por espasmos de felicidade. Quero, ou melhor, aceito a angústia como lei visceral.
Mas, a inquietação terá de fermentar dupla face: irradiação de euforia e de entrega a uma insanidade, mesmo que seja besta.
Mesmo que, assim que evanesça, eu diga que significou pouco. Que não deveria ser assim. Essas coisas da cegueira passageira. Essas coisas de nascer, de viver. A outra face é a cicatrizada, destruída e destruidora.
Destruída por ser o entulho da primeira. Destruidora porque dilacera a individualidade. Coração só não aguenta. Escreve, então.
Largar o riso que encanta, que abre o dia, que acomoda, que traz em si tranquilidade e o éter da conveniência. Ela aparece, mulher de Atenas se apresenta. Nega a si mesma em favor de outro. Quem se atreveria diante de tamanho óbice enebriante? A covardia volta a constituir a decisão pela indecisão.
E pensar numa outra que das letras mais entendesse, pelejasse cotidianamente em debulhar as dores-de-cabeça da realidade? Seria puro idealismo? Seria obsessão pela primeira face? Essa que está para sempre submetida a plásticas.
Se status quo: covardia. Se ruptura: idealismo. "Que fazer?", a indagação sempre em tela.
Querer comer, fazer amor, desejar "prazer pra aliviar a dor"... a perseguição da vida que trilha pela angústia. "Vou por aí a procurar".
Escrito por às 13h54
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